CONTOS de Carlos Kaliban
CAMINHAR SOZINHO

Um homem decidiu que seguiria seu caminho sozinho. Ele não queria ser dependente de ninguém.

Em sua trajetória ele seguia feliz e confiante, aprendendo a cada dia uma nova lição.

Eis que surge à sua frente um muro. Não era tão alto assim, entretanto por mais que se esforçasse não conseguia transpô-lo.

Olhou em volta e viu que estava sozinho. Niguém nem nada que pudesse ajudá-lo, embora pensou ele que "é sozinho que devo resolver os meus problemas”.

Passou um bom tempo e eis que surge uma mulher. Sua idade regulava com a dele e lhe pareceu ser uma pessoa que viajava em um caminho semelhante.

Ela também tentou transpor o muro e depois de uma série incontável de tentativas, desistiu.

Então, os dois olhares se cruzaram e revelaram, um ao outro, o significado daquele momento.

Sem que nenhuma palavra fosse dita, o homem chegou junto da mulher. Colocou-se em uma posição que ela entendeu. Ela colocou seu pé nas mãos dele. Ele então a levantou até a altura do ombro. Apoiando os pés nos ombros dele, suas mãos alcançaram o topo do muro e com facilidade foi lá para cima. De lá, deu a mão para o homem, que num só pulo chegou até onde ela estava. Fizeram a seguir os mesmos movimentos mas em sequência inversa e assim, com extrema facilidade se viram do outro lado.

Olharam-se e trocaram sorrisos e sem dizer uma só palavra que justificasse o desejo comum de seguirem sozinhos e independentes, deram-se as mãos e seguiram em frente onde certamente outros muros e obstáculos surgiriam.

A certeza de que seria mais fácil ultrapassá-los, estando a dois, os acompanhava. O caminho seria mais prazeiroso, sem dúvida alguma.

Descobriram assim que não necessáriamente estar com outro significa dependência. Descobriram que caminhar juntos quando se tem o mesmo caminho, o mesmo rumo e a mesma forma de ser e de querer é muito bom e adequado, embora as diferenças continuem a existir.

 
 
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