CONTOS de Carlos Kaliban
O BALÃO MÁGICO

Era um Balão. Um Balão colorido. Um Balão muito bonito. Estava ali, simplesmente, ao lado do caminho que levava ao bosque, aguardando pelos passageiros. O Piloto, sentado ao lado em um tronco de árvore, esperava com toda a calma aqueles que iriam viajar pelas nuvens.

Um senhor e uma senhora chegaram diante do Balão, abriram sorrisos e disseram ao mesmo tempo: “Que maravilha! Nunca viajamos em um Balão antes!”

O Piloto fez um gesto convidando-os a subir. Eles então entraram no Balão. Primeiro subiu a Senhora, ajudada pelas mãos de seu companheiro, depois o Senhor.

Naquela cesta, aparentemente pequena, se instalaram. O Piloto iniciou os preparativos para iniciar a viagem. Ligou o maçarico para injetar o ar quente e começou a recolher as amarras. Durante estes procedimentos, ele ficou muito atento para que nada desse errado e não percebeu nada a sua volta.

O Balão alçou vôo. Foi subindo, subindo... até deslizar junto às nuvens.

Quando o Balão estabilizou na altura ideal, o Piloto viu, com surpresa, que existiam mais pessoas dentro do Balão, que ele não tinha visto entrar.

Uma menina linda, de nariz arrebitado e cabelos cor de ouro, estava de mãos dadas com um menino, de cabelos castanhos e penteado engomado.

A menina então pediu, com uma voz musicada por dengo e carinho: “Me pega uma nuvem! Por favor!”

O menino pegou uma nuvem pequenina que estava mais próxima, que tinha a forma de um carneiro, colocando-a dentro do cesto do balão.

As duas crianças começaram a correr, a rir e a brincar. Como era bonito ver as crianças brincarem com o carneiro. Como elas eram felizes.

Lá, naquela pequena cesta, estavam também dois jovens. Completamente enamorados um do outro. Só percebiam que viajavam em um Balão porque viam a imagem colorida dele refletida nos olhos do outro. Quantos abraços e beijos trocavam e quantas promessas de vida faziam. Como o futuro era promissor.

Também, um homem e uma mulher estavam naquela cesta de Balão. Pareciam casados fazia pouco tempo. Eram só sorrisos um para o outro. Conversavam muito entre si. Falavam daquilo que cada um tinha vivido e daquilo que cada um pretendia viver. Tinham muitas esperanças e irradiavam isso. Tinham muitos desejos e sonhavam com uma felicidade cada vez maior.

O casal de senhores observava tudo e todos com olhar de experiência e sabedoria. Riam com as crianças e participavam da alegria delas. Tentavam conversar com os namorados, mas sem nenhum êxito. Aconselhavam o casal e os incentivava a viver intensamente cada momento da vida.

Contavam suas próprias histórias, um para o outro. Quem contava fazia com o coração enquanto o outro escutava com muita atenção.

Eles eram, sem dúvida nenhuma, portadores de muitas histórias. Da época de crianças, de quando eram namorados, de quando se casaram e das mais recentes. Os personagens da vida deles sempre os acompanhavam com alegria. Mas não todos. Alguns não conseguiram embarcar e foram deixados para trás.

Assim, não houve no Balão tristeza nem solidão. Os que não embarcaram, correram atrás do Balão até se cansarem e antes de abandonarem a nossa história, escutaram os risos de alegria que vinha lá do alto.

No final da viagem, quando o Balão tocou novamente o chão, o Piloto foi ajudar os passageiros a descer. Viu que só o casal de senhores estava na cesta. Não havia mais ninguém lá.

O que tinha acontecido às crianças, aos namorados, ao casal e ao carneiro? De onde surgiram e para onde foram?

Só o casal de senhores entrou no Balão e só o casal saiu! Olharam nos olhos do Piloto e disseram: “Nós sabemos onde eles estão! Não se preocupe! Tomaremos conta deles.”

Nos olhos do casal havia algo escrito. Era um “Para Sempre”, desenhado com nuvens, sobre um coração!

O Piloto olhou para o Balão, colocou as mãos na cabeça e perguntou para o nada: “Será este o “Balão Mágico”?


 
 
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