CONTOS de Carlos Kaliban
O CASTELO DE AREIA

Estava andando na praia quando vi um menino construindo um castelo de areia. Eu elogiei o trabalho e perguntei:

-“Por que está construindo esse castelo tão próximo da água?”

-“Por que assim, não preciso transportar areia húmida para longe. A areia deve estar bem húmida. Facilita o trabalho.” Respondeu o menino.

-“Então, por que está construindo esse castelo, pois logo a maré subirá e as ondas vão destruí-lo?” Perguntei.

O menino olhou para mim e parou de trabalhar. Começou então a contar uma história que era mais ou menos assim:

-“Certa manhã, não faz muito tempo, comecei a construir um castelo de areia. Fiz da melhor forma que podia, me esforçando para que ficasse igual ao dos meus sonhos e da minha imaginação. Ele começou a ficar lindo. Encheu-me de orgulho e satisfação olhar para minha obra. Como era bonito o meu castelo! Sem que eu esperasse, veio uma onda mais forte e destruiu a metade dele. Sem que eu pudesse fazer nada, outra onda o destruiu completamente restando apenas um monte de areia lavada. Comecei a chorar muito e corri para casa. Lá chegando, meu pai vendo o meu desespero, perguntou pelo que tinha acontecido. Eu contei tudo, desde o momento em que tive a idéia de começar a construir o castelo de areia”. Relatou o menino.

-“E o que aconteceu depois?” Perguntei.

-“Meu pai colocou a mão no meu ombro, puchou-me para junto dele e me deu um abraço muito carinhoso. Depois me disse:” –“Amanhã você deve construir outro castelo exatamente no lugar onde construiu o de hoje.”

-“Mas, pai! As ondas vão destruí-lo também!” Disse para ele.

-“Não interessa, faça como estou mandando. Amanhã, no mesmo horário e no mesmo local”. Falou meu pai.

-“Na manhã seguinte bateu uma vontade de fazer um castelo mais bonito ainda que o destruído pelas ondas. Quando estava quase pronto, as ondas o destruíram. Corri para casa chorando e relatei tudo para o meu pai, esperando que ele se desculpasse pela ordem que tinha me dado. Ele, entretanto, sem demonstrar nenhum arrependimento, me disse:”

-“Tudo é passageiro, filho. O importante é você ter consciência disso. Não tente segurar as coisas ou pessoas que ama junto a você. Um dia elas vão vir e você colocará nelas trabalho, amor e dedicação. Elas também poderão a qualquer momento ir embora, como foi o castelo de areia. Você não poderá fazer nada. Só restará a lembrança de que você fez o seu melhor e utilizou todo o seu amor para isso. Não se apegue, pois você só sofrerá com isso. Faça uma coisa: Amanhã, construa outro castelo de areia sem pensar na perda. Faça-o e realize-se com isso. Quando as ondas o levarem, dê adeus e sinta o quanto foi importante ele ter existido. Teine o desapego e saiba dar valor às coisas e pessoas que você atrai. Um dia desses, quando pessoas de sua vida forem embora, elas levarão a lembrança do homem maravilhoso que você se tornará. Construa tantos castelos de areia quanto necessário, até você compreender o que é desapego.”

Tocado pelo o que o menino me contou, disse: -“Seu pai é uma pessoa maravilhosa. Obrigado pela história. Este castelo realmente está ficando lindo”.

Ele, despendindo-se , acrescentou: -“Desta vez não vou chorar. Na minha lembrança guardarei com alegria que sonhei e contrui o castelo de meus sonhos. Sou capaz de sonhar e de realizar e assim crescerei e seguirei na vida com firmeza e alegria. É para isso que serve construir castelos de areia na beira do mar. E para que mais?” Perguntou.

 
 
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