CONTOS de Carlos Kaliban
O DIAMANTE

Um homem viajava pelo deserto. Era noite, fazia muito frio e o céu estava completamente estrelado. Ele estava só entre o céu e a terra. Não levava nada consigo a não ser a tristeza, a desesperança e a desorientação. Lembrava vagamente de onde vinha, mas não tinha a menor idéia para onde estava indo. Ele caminhava com passos lentos e com muitas dores no corpo. O frio e a solidão penetravam fundo em seu corpo e em sua alma.

Às vezes queria se entregar e se dissolver para sempre naquelas areias. Entretanto quando esses pensamentos vinham a sua cabeça, alguma coisa, algo em seu interior o sacudia com se tivesse a intenção de mantê-lo acordado.

O seu camelo tinha morrido, sua mochila se perdeu em algum ponto do caminho e os seus conhecimentos de astronomia eram bastante limitados. Não podia contar com as estrelas para se orientar.

No deserto é muito fácil ficar andando em círculos. Pode-se até passar por um oásis ou por uma caravana que, estando bem ali atrás de uma duna, podem não ser percebidos.

No meio da escuridão o homem focou em um ponto. Não sabia o porquê, mas aquele ponto parecia ser de fundamental importância. Um ponto na escuridão de onde, ele percebeu, vinha uma luz. Uma tênue luz quase imperceptível.

Ele se animou e se colocou em marcha. A luz parecia estar logo ali, mas ele demorou bastante até chegar lá. Foi necessário colocar um grande esforço nisso. Suas pernas pesavam e as areias as seguravam fazendo o caminhar pesado e difícil.

Quando enfim lá chegou, percebeu que os raios da luz vinham da areia. O que emitia aquela luz estava enterrado nas areias geladas.

Com suas mãos ele afastou a areia em volta da luz e um verdadeiro tesouro se mostrou. Estava diante de um magnífico Diamante. Uma pedra única, enorme e nunca vista, nem ao menos na sua imaginação.

A luz vinda daquela pedra iluminava tudo em volta. Era como se a noite tivesse se transformada em dia. Mas a luz não revelava nada em volta, apenas dunas.

Ele começou a caminhar e a sua mente foi estabelecendo uma relação entre o Diamante e os seus sonhos. Pensou em uma casa nova, em um jardim parecido com o paraíso, em ser rico, na segurança que a riqueza propicia, nas viagens que poderia fazer, em uma linda mulher, enfim, na realização de um número grande de desejos. O que poderia realizar quando vendesse aquela pedra!

Ao mesmo tempo em que esses pensamentos vinham a sua cabeça, ele percebeu que a luz originada do diamante perdia sua intensidade. Percebeu também que o Diamante se dissolvia em suas mãos. Ele nada podia fazer para mudar aquela situação.

Ele entendeu então que o Diamante era uma pedra de gelo. Uma imagem fria, mas que continha no seu interior um tesouro. Um tesouro que havia sido dado a ele.

Quando o Diamante se dissolveu completamente e a luz retornou para a escuridão, o homem caiu de joelhos e chorou. Ele tinha finalmente percebido que a procura era interior. Que a luz era interna. Que essa luz interna era a verdadeira guia e companheira. Ele entendeu que uma vez obtida essa graça, era dele para sempre, incondicionalmente.

Nesse momento ele sentiu a escuridão se desfazendo. Uma nova luz clareava os caminhos e mostrava coisas que estavam ocultas. Olhou para si e viu que aquela luz brotava de seu próprio coração.

Olhou então em volta e viu, entre duas enormes dunas, adormecido e silencioso, um acampamento de nômades. Ele estava salvo. A luz daquele diamante, que agora estava para sempre no seu coração, o tinha salvado.

E naquela manhã, o sol nasceu lindo, quente e com muita energia. Ele não tinha feito nada para que isso acontecesse, mas estar “PRESENTE” a esse milagre e olhar para aquele novo dia em sua frente, com fé, esperança e determinação, era uma forma de mudar o seu destino!

 
 
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