CONTOS de Carlos Kaliban
O HOMEM QUE QUERIA MUITO

Um homem estava se sentindo muito sozinho. Tinha tido alguns relacionamentos, mas naquele momento estava só. Na verdade estava só já há algum tempo. Ele não estava confortável com aquela condição e procurava de todas as formas sair dela.

Onde estava a sua amada? Quando e como como viria? Eram perguntas que fazia a todo momento. Por mais que perguntasse, não obtia respostas.

Certa noite, em uma de suas andanças solitárias, deparou-se com um maravilhoso Parque de Diversões, instalado em um enorme terreno. Parecia que o Parque tinha sido colocado ali por encanto, pois na semana anterior o terreno estava completamente vazio.

Ele olhou para o parque e pensou: - “Vou entrar e dar uma olhada. Quem sabe aí dentro encontro o que procuro!”

Ele comprou o ingresso, entrou e circulou entre as diversas barracas de entretimentos e entre os maravilhosos brinquedos.

Era tudo muito bonito e prazeiroso, mas não era ali que estava a mulher que procurava.

Quando decidiu ir embora, notou uma barraca afastada das outras. Nela tinham luzes piscando e um letreiro luminoso que chamava atenção. Ele chegou perto e leu:

“AQUI VOCÊ ENCONTRARÁ O QUE DESEJA! SE NÃO ENCONTRAR, TERÁ O SEU DINHEIRO DEVOLVIDO!”

Enfiou a mão no bolso, tirou a carteira e contou o dinheiro que tinha. Era o suficiente para pagar o ingresso que era bastante caro. Pensou um pouco, mas os dizeres do letreiro luminoso o convenceram.

Ele foi até a bilheteria e colocou o dinheiro na abertura existente. Em seguida pegou o ingresso que saiu misteriosamente de lá. Não viu ninguém na bilheteria. Inseriu o ingresso na catraca e a girou, entrando.

Lá dentro se deparou com um número muito grande de portas, fazendo um enorme círculo, cada uma com um cartaz específico fazendo a divulgação do que era oferecido por detrás dela.

Tinha porta para quase tudo, desde “O máximo Prazer” até “A Casa dos seus Sonhos”. Mas nenhuma que indicasse que após ela ele encontraria a sua amada.

Ele lembrou que o cartaz lá fora prometia o dinheiro de volta caso não fosse encontrado o objeto de sua procura. Pensou que tudo aquilo era uma grande bobagem para enganar os tolos. O melhor era desistir daquilo e ir embora.

Quando estava indo em direção à saída, seu sapato se prendeu entre duas pedras do pavimento.

Ele se colocou de joelhos e soltou o pé preso. Neste momento ele percebeu que as portas eram iluminadas aleatóriamente, uma por uma. Como ele deveria entender esses sinais? Deveria escolher a porta que acendia em um determinado instante ou queria dizer que qualquer porta servia. Ele pensou: - “Se qualquer porta serve vou fechar os olhos por instantes e quando eu abri-los, escolherei aquela que estiver acesa. Parece-me um bom critério”.

Ele se lembrou do que o cartaz lá fora prometia. “Sucesso para quem continuasse, e para quem desistisse, o dinheiro de volta”.

Quando abriu os olhos viu uma porta que estava mais a esquerda se iluminar. – “É aquela!” disse ele sem ao menos ver o que o cartaz exibia. Abriu a porta e entrou.

Lá encontrou um carro em exposição. Nunca tinha visto um parecido. Nunca tinha ouvido falar do fabricante. Nem sabia como conseguir o carro. Como ganharia aquilo? Por sorteio ou através de algum tipo de concurso? Além disso, podia ser um carro fantástico que não o atraia nem um pouco.

Pensou: - “Escolha errada! Devia ter ido embora e apanhado meu dinheiro de volta. Que tal fazer isso agora?”

Assim que esse pensamento lhe veio à cabeça escutou uma voz feminina que lhe perguntou: - “Posso ajudá-lo em alguma coisa?”

Era uma linda mulher que o atendeu e deu todas as informações. Sem que ele conseguisse entender nada, ela subitamente disse: - “Está na hora de fechar. Depois continuamos. Mas se você quiser, dou este prospecto do carro. Meu nome e meu telefone estão escritos nele. Meu nome é Cyntia. Boa noite.” Foi embora como apareceu.

Ele então saiu da barraca meio abobalhado como se estivesse faltando acontecer alguma coisa. Deu alguns passos na direção à porta de saída do Parque de Diversões, quando lembrou que não tinha apanhado o dinheiro. Afinal, não tinha conseguido o que procurava. Ele tinha o direito de ter o dinheiro restituído. Quando se voltou, a barraca não estava mais lá. Tudo tinha desaparecido.

Perguntou então para um funcionário do Parque de Diversão sobre a barraca. A resposta foi a seguinte: - “Ali nunca teve barraca moço! O terreno ali é um charco. Não dá para montar barraca lá!”

Não entendendo nada, ele foi para casa. Quando chegou, lembrou do prospecto do carro que ganhou. Procurou no bolso e não o encontrou. Pensou que o tivesse perdido. Resolveu procurar novamente e encontrou no fundo do bolso um papel amassado. Era um pedaço de guardanapo que poderia estar lá há muito tempo. Não se lembrava quando, quem o deu e por quanto tempo estava no bolso. Nele estava escrito somente um número de telefone.

Ele discou o número e uma voz atendeu do outro lado:

- “Alô! Meu nome é Cyntia! Com quem estou falando?”

Ele se apresentou e disse que queria muito contar para ela uma história. Parecia mais com um sonho e que até antes de telefonar para ela achava que era inteiramente sem sentido e incapaz de ser entendida.

 
 
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