CRÔNICAS de Carlos Kaliban
CHAMAR A ATENÇÃO NEM SEMPRE É UMA QUESTÃO DE EGO

Um homem viajava com a família em uma estrada. Dirigia com alguma velocidade. Sua mente também era muito veloz e tinha dificuldades de perceber a realidade. Em um determinado instante viu às margens da estrada uma pessoa que gesticulava incessantemente.

No mesmo instante, sem diminuir a velocidade, comentou com a mulher:

"Está vendo aquele homem? Com certeza é alguém que precisa de atenção. Isto só pode ser fruto de um ego muito cristalizado. Ele não se satisfaz em ser apenas uma pessoa ao longo da estrada. O ego precisa ser reconhecido. A indiferença é a pior coisa pra ele. As crianças desde bem pequenas já demonstram essa necessidade. Querem ser vistas e ouvidas pelos adultos. Adoram receber atenção. Quer ver uma criança feliz? Dê atenção pra ela. Converse sobre as coisas do seu mundo infantil, pergunte sobre sua vida, brinque com ela. Assim é o ego se manifestando. Se eu parar ele vai querer falar, contar suas histórias e seus problemas, enfim tomar o nosso tempo. Temos mais para fazer e sabemos onde queremos chegar."

Dizendo isto, acelerou o carro como se quisesse alcançar seus próprios pensamentos, inteiramente carregados de preconceitos e condicionamentos.

Algumas dezenas de metros adiante ele entendeu, mas não lhe restou tempo de fazer nada: A ponte na estrada tinha desabado e todos se precipitaram no abismo.

Existe uma citação, que se não me engano é budista, que diz:

"Não olhe para o meu dedo. Olhe para onde ele está apontando!"


 
 
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