CRÔNICAS de Carlos Kaliban
O MESMO CONSELHO

Em uma determinada reunião de família, que poderia ser um aniversário ou um batizado, estavam o avô, o pai e o neto. O avô conversava com amigos, o pai com seu irmão e o neto, com cerca de uns dez anos de idade, brincava com os amiguinhos.

Na conversa do pai com seu irmão, surgiu a lembrança de como era o seu comportamento na escola, quando criança.

O irmão disse: -“Lembra que você era o “pele” da turma? Você tinha muita dificuldade de reagir às gozações. Lembra?”

O pai em questão, lembrando-se do fato, comentou: -“Pois é! Lembro de um menino que vivia me sacaneando e querendo que eu brigasse com ele. Me dava tapas e me xingava sempre durante o recreio. Nosso pai, que está logo ali, tinha nos ensinado a não brigar de forma nenhuma e eu não sabia como resolver aquela situação. Mas em uma certa manhã, eu resolvi esquecer os conselhos dele e fazer as coisas à minha maneira. Quando o menino veio para me empurrar, peguei o braço dele e o puxei para um canto escondido do pátio da escola. Lá, sozinhos os dois, apliquei nele aquela surra. Como eu bati no menino! Chegou até a sangrar! Pois bem! O que aconteceu depois foi que ficamos grandes amigos e nossa amizade durou até uns três anos atrás, quando ele se mudou para uma cidade distante. Agi como achei que deveria e isto fez uma diferença muito grande.”

Em outro momento e em outro espaço da casa, o neto chega correndo e chorando junto ao avô. O avô pergunta: -“O que aconteceu? Por que está chorando?” O neto respondeu: -“Tem um menino que não “larga do meu pé!”e fica o tempo todo batendo em mim e me insultando.” E acrescentou: -“Vou falar agora mesmo com meu pai sobre isto. Ele vai saber me dizer o que fazer.”

Com um sorriso nos lábios o avô disse: -“Não precisa! Lembre-se de que fui eu quem ensinou este tipo de coisas a seu pai. Posso te ensinar a mesma coisa: Você nunca deve brigar. Apenas diga com firmeza para esse menino: “Nunca mais me bata. Se você fizer isto eu nunca mais vou ser seu amigo. Se você continuar, eu nunca mais vou brincar contigo. Se não fizer o que estou dizendo nunca mais me relacionarei contigo.” Acrescentou o avô: -“Se ele não te ouvir, paciência! Amigos vão e vêm. Com certeza ele não é importante na sua vida.”

O mesmo conselho foi dado pela mesma pessoa, o avô, para o seu filho e o seu neto, em épocas diferentes. Em uma época, da ação não aconselhada de confronto surgiu uma relação de amizade que durou muito tempo e foi muito importante para as duas pessoas. Será que o neto conseguirá alguma coisa de bom se seguir o mesmo conselho mas sem agir de acordo com sua própria consciência? Na vida não existe uma certeza para nada. É muito interessante estar presente a essas duas situações e poder assistir o desenrolar dos acontecimentos.



 
 
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