ENSAIOS de Carlos Kaliban
PERFEITOS MAS LIMITADOS

Quando olhamos para um deficiente físico vemos de imediato as suas limitações. Uns são cegos, outros dependem de uma cadeira de rodas e outros ainda são desprovidos de algum membro de seu corpo.

Quando olhamos para um ser humano sem nenhuma deficiência aparente, podemos associar que estamos diante de uma pessoa normal, sem limitações e talvez perfeita.

Somos todos deficientes, de alguma forma. Quase sempre não identificamos com clareza estas deficiências. Vivemos então em conflito, entre o que queremos ser e o que podemos realmente ser. Este conflito consome energia que muitas vezes falta para realizarmos nossos objetivos possíveis.

Muitas vezes nos esforçamos para atingir algo sem perceber o grau de dificuldade da empreitada.

Acreditamos mais nos “otimistas” que nos dizem “grandes verdades” tais como “você pode tudo” e esquecemos e nos desviamos daquilo que é realmente possível para cada um de nós.

Cada pessoa é única. Cada uma tem dentro de si qualidades e defeitos. As qualidades ajudam e os defeitos são obstáculos. Mas na verdade os chamados defeitos são as nossas limitações, as nossas deficiências internas. Somos todos deficientes, embora às vezes não queiramos aceitar isto.

Uns nascem com qualidades tais como, criatividade, percepção vontade, perseverança e uma série de dons. Mas junto dessas qualidades certamente habitam limitações dou defeitos. Elas podem ser a dificuldade de entendimento, falta de paciência, indiciplina e uma série interminável de itens.

Para estabelecer uma boa meta para nossa existência é necessário primeiro que tenhamos conhecimento sobre nós mesmos. Em segundo lugar que tenhamos aceitação das nossas limitações e em terceiro lugar que avaliemos com maior clareza possível como podemos utilizar nossos atributos na realização de nossos desejos.

É importante sentirmos a nossa individualidade e procurar enriquecê-la ao invéz de tentar seguir modelos externos que nos são impostos de várias maneiras pela família e pela sociedade.

A coragem de assumir ser o que se é, consiste em um ponto de partida para a realização pessoal. A busca da chamada felicidade começa por aí.

Assumir ser o que se é, fazendo tudo para se livrar dos conflitos internos e dos externos, faz a pessoa se mover na direção de criar um ser humano melhor.

A relação com o mundo externo pode ser sintetizada com uma postura que alguns recomendam: “Estar no mundo sem ser do mundo”.

O conflito entre o que nós somos e o que as outras pessoas são, sem nos esquecer que as outras pessoas formam o “Mundo Externo”, é inevitável. Entretanto é perfeitamente possível, e muitas pessoas conseguem isto, ter uma relação de harmonia e paz com o mundo externo.

A conhecida história “O velho, o jovem e o burro” mostra que querer agradar aos outros e não assumir aquilo que achamos adequado para nós mesmos, leva à interrupção de um caminhar em direção a um determinado objetivo.

Devemos sim, escutar a opinião dos outros, mas devemos sempre escolher e decidir por nós mesmos. Assim podemos perder alguma coisa, mas em contrapartida ganharemos tesouros que serão acumulados em nosso interior.

Quem somos, onde estamos , para onde vamos e com quem queremos ir em nossa jornada, são questões importantes para serem respondidas.

Valorize-se mas não dê um passo maior que suas pernas nem tente abraçar um mundo que não cabe em seus braços.

A paz e a felicidade não é uma meta e sim uma forma que só é encontrada no momento presente.

Sorria e siga os passos dos seus próprios pés que conduzidos conjuntamente pela sua mente e seu coração, o levarão na direção de sua realização.

 
 
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