POESIAS de Carlos Kaliban
A ANDORINHA

Ele morava em uma cabana nas montanhas. Vivia sozinho.
Estava passando por um inverno rigoroso.
Sentia muito frio, o que aumentava a sensação de solidão.

O frio era sentido nos ossos, na alma e no coração.
Precisava de algo para esquentá-lo.
Esse algo seria sem dúvida o calor do sol.

Lembrou do verão.
Desejou que ele chegasse logo.
Foi para fora de sua cabana e ficou olhando o céu a procura de algo.
O céu poderia mostrar um sinal que o incentivasse.

De repente viu uma andorinha que voava lépida.
Parecia procurar um lugar para fazer o seu ninho.
Andorinhas sinalizam que o verão está próximo.
“Que boa notícia ela está me dando”, exclamou ele radiante.

Era uma só, mas era uma andorinha.
Olhou novamente para o céu à procura de outras andorinhas.
Não conseguiu encontrar nenhuma mais.
Era uma andorinha só, solitária como ele.

Seu desejo de que o verão chegasse o traiu.
Lembrou que antes do verão ainda viria a primavera.
Era preciso saber esperar.

“Uma andorinha só não faz verão”.

As flores viriam antes.
Antes do calor do sol viriam as flores.
Que trariam a beleza e o perfume para sua vida.

Mas o calor do verão não tardaria.
O seu coração seria aquecido, com certeza.
Será quando, em sua volta, existirá um número infinito de andorinhas.
A revoar em torno do seu coração.

 
 
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