POESIAS de Carlos Kaliban
CARRANCA

Eu quero viajar
neste barco que é você
um barco a navegar
para onde não consigo ver.

Descer o rio caudaloso,
nas corredeiras singrar,
como eu quero e quero rápido!
Ao seu mar logo chegar.

Enquanto viajo nele
na sua cama quero me aninhar.
No barco que é você
meu nome vou pintar.

Na carranca que afasta o mal
protegendo o seu navegar
coloco também minha fé
e adiante sempre vou estar.

Descendo o rio da vida
querendo ao seu mar chegar
para nele me dissolver
e com você sempre ficar.

Me dê sua mão
e me deixe entrar.
Não viaje sozinha,
deixe eu lhe acompanhar.

Sou aquele que pode
ler as estrelas e não se perder
mas se me perco
o rio, com certeza irá saber.

Se nem eu nem o rio
souberem para onde ir
o seu sábio coração
saberá nos conduzir.

Não é preciso vela ou motor
pois existe uma força a impulsionar
o nome dela é amor
e amor temos para dar.

E quando chegarmos ao mar
pode ser que lá,
não seja o nosso lugar.
Talvez lá não iremos ficar.

Pode ser que iremos para o alto
e no céu vamos estar,
um céu cheio de estrelas
estrelas que não são do mar,
estrelas que iluminarão
o nosso eterno amar.

 
 
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