POESIAS de Carlos Kaliban
O EQUILIBRISTA

O que estou fazendo aqui?
Não sei!
Então sou louco?
Não!
E porque está aqui?
Porque vi este arame!
Mas porque está andando nele sobre o precipício?
Por que quis! Quero ir até o outro lado.
Para que?
Para saber o que tem lá!
E se não tiver nada?
Eu volto!

Agora está tranqüilo. O vento cessou.
Agora posso ir mais depressa.
Tive de ficar parado, morto de medo de cair.

Eu vejo alguém lá!
Outro louco que por aqui passou?
Porque louco?
São loucos todos os que andam no arame?
Claro que não! É só maneira de dizer.
Mas se for louco?
Conversaremos!
Sobre o que? Sobre loucura?
Não! Sobre a vida. Sobre a travessia. Sobre tudo!
Mas se ele não quiser conversar?
Ficamos em silêncio!
Vai valer o esforço?
Claro! Seremos dois a estar lá.
E outros poderão vir.
Poderemos ser muitos amanhã.

Amanhã vai ser um lindo dia.
Vai fazer sol!
Taí! De lá vou ver o sol nascer!
Vai valer à pena!
Atravessar o abismo, só para ver o sol nascer?
Sim, mas de lá vai ser diferente!

Além disso, só quero ver o que tem lá,
e depois voltar!

 
 
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