POESIAS de Carlos Kaliban
QUEM SOU EU

Quem pergunta?
Quem responde?
Não sou eu. Será você?
Mas por que não responder,
mesmo sem saber?

Às vezes tenho
a velocidade de um caramujo,
ou a lerdeza de um raio,
mas imóvel eu não fico.

Em outro momento,
sinto a alegria da distância
ou a tristeza da presença,
mas vivo todos os momentos.

Depois,
sinto vontade de gritar
ou de ficar calado.
Se ninguém escuta, tanto faz!

Frequentemente,
sinto medo quando enfrento
ou muita coragem
quando me escondo.

Rosno para quem se aproxima
como se quisesse
que ela fosse embora,
apesar de querer um afago,
naquela hora.

Ou como um cão vadio
abano o rabo com alegria
esperando por um carinho,
que não recebo.

Digo “te amo” e “te odeio”,
como se fossem a mesma coisa.
Será que é?
Não sei.

Em outro momento,
sinto vontade de prender
o meu desejo em uma gaiola.
Mas em seguida o liberto
e o vejo ir embora.
Se quero, porque luto?
Se não quero, porque desisto?

Sou todo contradições:
Às vezes eu faço sol
mas chovo ao mesmo tempo.
Estranho? Será normal?
Entender? Nem sempre tento!

Certezas, claro que tenho!
De que sou um menino.
De que sou um adulto.
Embora não saiba dizer
o que sou agora.

Certezas são coisas que mudam
a cada aurora.
Verdades são como nuvens
que o vento leva embora.

Louco, romântico, cético,
descrente, apaixonado, saudoso,
criança, feliz, ignorante,
solitário, compulsivo, desanimado...
E muitas outras coisas eu sou.
Como posso ser tanto
se na verdade nem eu sei?

Sou o que me dizem,
Sou o que não quero ser,
Sou aquele que vai,
Sou aquele que fica.

Mas uma coisa eu tenho certeza,
que sou e acredito nisto.
Sou uma pessoa
que quer AMAR.

 
 
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